Praça da Cidadania em Itaquaquecetuba: o certo no lugar errado
A Praça da Cidadania abriu inscrições para cursos de capacitação em Itaquaquecetuba.
A iniciativa é correta. Mas a pergunta que precisa ser feita é: correta para quem?
O que se vê aqui é um problema recorrente em políticas públicas de formação: a oferta é definida de cima para baixo. O programa chega ao município, as vagas são abertas, os inscritos aparecem. Mas a distância entre o local do curso e o local onde os potenciais alunos moram nem sempre é considerada.
Há um ponto que os números de matrícula podem esconder: a taxa de evasão em cursos de periferia frequentemente tem a ver com custo de deslocamento, não com desinteresse. Quem mora longe do centro de formação gasta tempo e dinheiro para chegar lá. Às vezes, mais do que o valor do curso justificaria.
Veja bem: não se trata de desconsiderar o esforço de levar formação a municípios periféricos. Trata-se de reconhecer que periferia não é homogênea. Itaquaquecetuba tem distritos. A distância entre eles importa.
O contexto é determinante: desemprego e subemprego batem mais forte em periferias. Iniciativas de capacitação são necessárias. Mas necessárias não é sinônimo de suficientes.
A pergunta que o modelo atual deixa em aberto é: como chegar mais perto de quem precisa, não apenas do município onde esses pessoas moram?