Irã, dia 20: a guerra que não tem fim à vista
A guerra entre EUA, Israel e Irã completou 20 dias.
O marco é simbólico. Mas o que ele revela?
O que se vê aqui não é apenas um conflito prolongado. É a normalização de uma situação que há um mês parecia improvável. Guerras se tornam rotina mais rápido do se imagina. Manchetes repetidas, mercados que se ajustam, diplomacia que fala sem dizer nada.
Há um ponto que a cobertura dia a dia pode esconder: o que mudou em 20 dias não foi a situação militar. Foi a expectativa. No início, falava-se em escalada rápida ou resolução negociada. Agora, fala-se em duração. O conflito deixou de ser evento para ser condição.
Veja bem: não há sinal de negociação séria. Não há sinal de de-escalada. Há intensificação de ataques, ampliação de alvos, envolvimento gradual de mais atores. A guerra não está terminando. Está se instalando.
O contexto é determinante: o petróleo subiu, rotas comerciais foram afetadas, alianças foram testadas. Mas nada disso é suficiente para forçar solução. Enquanto o custo de continuar for menor que o custo de recuar, a guerra continua.
A pergunta que importa não é quando a guerra vai acabar. É o que o mundo vai fazer enquanto ela não acaba.