Santos, Cuca e o futebol que não planeja
O Santos anunciou a contratação de Cuca após demitir Vojvoda.
A mudança é técnica. Mas o que ela revela sobre o clube?
O que se vê aqui não é apenas uma substituição de comando. É um padrão de gestão que privilegia o imediato sobre o estrutural. Vojvoda foi demitido com clube em situação difícil. Cuca foi contratado para resolver situação difícil. Nada mudou exceto o nome.
Há um ponto que a cobertura da contratação pode esconder: Cuca é técnico de currículo respeitável, mas também é técnico de modelo conhecido. Sua contratação não sugere mudança de projeto. Sugere tentativa de fazer o mesmo projeto funcionar com outra pessoa.
Veja bem: o Santos vive crise financeira e esportiva há anos. Trocar técnico é a decisão mais fácil que diretoria pode tomar. Dá sensação de ação sem exigir enfrentamento de problemas reais.
O contexto é determinante: o clube perdeu a base que o caracterizava, não tem receita compatível com grandes elencos, e compete em cenário onde concorrentes têm mais recursos. Cuca não resolve isso. Nenhum técnico resolve isso.
A pergunta que importa não é se Cuca é bom. É o que o Santos faz quando Cuca não for suficiente.