Orçamento secreto é essencialmente corrupto: a afirmação que precisa de consequência
Um relatório afirmou que o orçamento secreto brasileiro é essencialmente corrupto.
A afirmação é forte. Mas força não é o que falta.
O que se vê aqui não é apenas acusação. É descrição de sistema. Orçamento secreto não é brecha que alguns exploram. É mecanismo cujo desenho favorece desvio. Se o sistema é corrupto por natureza, a resposta não é punir quem abusa. É mudar o sistema.
Há um ponto que a cobertura do relatório pode esconder: afirmar que algo é corrupto não é o mesmo que provar casos individuais. A distinção importa para processos, mas não para política pública. Se o mecanismo produz corrupção sistemática, o mecanismo deve ser extinto.
Veja bem: orçamento secreto foi criado com justificativa de segurança. Seu uso se expandiu para áreas onde transparência não comprometeria segurança, mas comprometeria conveniência política.
O contexto é determinante: o Congresso brasileiro tem histórico de usar mecanismos opacos para distribuir recursos a aliados. O relatório não descobre o que não se sabia. Confirma o que se fingia não saber.
A pergunta que importa não é se o orçamento secreto é corrupto. É o que o Congresso faz com essa informação agora que ela está formalizada.