Orcamento secreto: o que muda depois do relatório
Um relatório denunciou o orçamento secreto como sistema corrupto.
A acusação está feita. Mas a pergunta que importa é outra.
O que se vê aqui não é apenas revelação. É teste de sistema. Se o relatório é sólido e o sistema funciona, haverá consequências. Se o relatório é sólido e o sistema não funciona, o documento será mais um arquivo em gaveta cheia de arquivos.
Há um ponto que a discussão sobre conteúdo pode esconder: o problema não é falta de informação. É falta de consequência. O Brasil produz relatórios sobre problemas conhecidos há anos. O que não produz é encaminhamento que mude a situação que o relatório descreve.
Veja bem: orçamento secreto não é brecha. É mecanismo. Foi desenhado para permitir alocação de recursos sem transparência. Funciona como foi desenhado. A pergunta é se o desenho pode ser alterado por quem se beneficia dele.
O contexto é determinante: o Congresso brasileiro tem maioria que se beneficia de mecanismos opacos. Aprobabilidade de que essa maioria vote pelo fim de mecanismo que a favorece é baixa.
A pergunta que importa não é se o orçamento secreto é corrupto. É se o Congresso vai fazer algo sobre isso.