CPMI do INSS e dados apagados: a memória que desaparece
A CPMI do INSS enfrenta problema de dados apagados.
A dificuldade é técnica. Mas a suspeita não é.
O que se vê aqui não é apenas falha de sistema. É padrão recorrente em investigações brasileiras: quando a coisa aperta, a informação some. Não é sempre. Mas acontece com frequência suficiente para não ser coincidência.
Há um ponto que a discussão sobre recuperação de dados pode esconder: em investigações sobre fraudes sistemáticas, a destruição de evidências é parte do crime. Se dados foram apagados deliberadamente, o apagamento é continuidade da fraude, não obstáculo à investigação.
Veja bem: não se trata de assumir culpa sem prova. Trata-se de reconhecer que conveniência do apagamento para investigados é indício que não pode ser ignorado. Dados não somem sozinhos. Alguém os apagou.
O contexto é determinante: a CPMI tem prazo. O tempo que se perde tentando recuperar dados é tempo que não se usa investigando. Se a estratégia é atrapalhar até o prazo acabar, está funcionando.
A pergunta que importa não é se os dados podem ser recuperados. É quem tinha interesse em apagá-los e o que a CPMI faz com essa informação.